Ailton Krenak toma posse na Academia Mineira de Letras

 

Ailton Krenak – Foto Neto Gonçalves.

Filósofo, escritor e líder ativista é o novo ocupante da cadeira nº 24

A Academia Mineira de Letras recebe novo integrante no próximo dia 3 de março. Ailton Alves Lacerda Krenak – filósofo, professor, escritor, poeta, ambientalista, líder ativista da causa dos povos originários – toma posse da cadeira nº 24 em cerimônia restrita a convidados, na sede da AML. Na ocasião, o discurso de recepção será realizado pela acadêmica Maria Esther Maciel, ocupante da cadeira número 15.

A cadeira nº 24 foi fundada por João Lúcio e tem como patrona Bárbara Heliodora. Já foi ocupada por Cláudio Brandão, Henrique de Resende, Sylvio Miraglia e Eduardo Almeida Reis.

Sobre o novo acadêmico diz o presidente da Academia Mineira de Letras, Rogério Faria Tavares: “A posse de Ailton Krenak é um momento privilegiado para celebrar a potência de sua literatura. Seus livros são traduzidos para vários países, alcançando uma legião imensa de leitores em várias partes do mundo. A trajetória de Ailton Krenak em defesa dos povos originários, de sua cultura e de sua arte é admirável. A sua eleição foi, ainda, um gesto de reverência da Academia Mineira de Letras à inestimável contribuição que os indígenas do Brasil deram e continuam dando ao desenvolvimento da cultura nacional”.

Também sobre o novo acadêmico, Maria Esther Maciel, a acadêmica que o recepcionará enfatiza: “O grande líder indígena Ailton Krenak tem conjugado um vigoroso ativismo em defesa dos povos originários ao trânsito criativo por diferentes linguagens, culturas e territórios. A isso se soma também seu impressionante trabalho de reflexão sobre o mundo devastado do presente e as práticas genocidas que, desde o início da colonização, vêm sendo infligidas contra as comunidades indígenas do país. Seus livros, depoimentos, relatos, narrativas e poemas são registros vivos de um pensador-escritor que, com sabedoria, inteligência e sensibilidade poética, é capaz de ver a ancestralidade no futuro e nos apresentar vias possíveis para o adiamento do fim do mundo. ”

Sobre o novo acadêmico Ailton Krenak

Nascido no município mineiro de Itabirinha, em 1953, é professor doutor honoris causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora, onde leciona nos cursos de pós-graduação, e pela Universidade de Brasília. Em 1985, fundou a organização não governamental “Núcleo de Cultura Indígena”. Ailton esteve presente a sessões da Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição Federal de 1988, quando protagonizou uma das cenas mais marcantes dessa Assembleia: em discurso na tribuna, pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo, segundo o tradicional costume indígena brasileiro, para protestar contra o que considerava um retrocesso na luta pelos direitos dos povos indígenas brasileiros. Ainda em 1988, foi um dos fundadores da União dos Povos Indígenas. Entre seus livros, editados em mais de treze países, estão “Encontros”, organizado por Sérgio Cohn (2015), “Ideias para adiar o fim do mundo” (2019), “O amanhã não está à venda” (2020), “A vida não é útil” (2020) e “Lugares de Origem”, com Yussef Campos (2021), “Futuro Ancestral” (2022). “O Eterno Retorno do Encontro” foi publicado no livro “A Outra Margem do Ocidente”, organizado por Adauto Novaes (2020).

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